segunda-feira, 8 de março de 2010

Salir TT 2010 by Cláudio Subtil

"O meu Salir começou no Sábado (27 Fev) da semana anterior, quando fui à "garagem" ver a WR e ela estava com todo o óleo das forquilhas no chão...

Devido a isto, fui colocar a mota na Reiger para fazer uma revisão geral das forquilhas e amortecedor. Levou tudo novo (casquilhos, retentores, molas, óleo, azoto, etc...). Oportunamente faço um review da preparação, preços, etc...

Na 2ªf dia 01 Março, a minha Omega V6 que utilizo para puxar o reboque decidi acender uma luz amarela no painel... Oficina com ela, novo módulo de ignição e aproveitei para trocar óleo de motor e filtro.

Na 6ªf dia 05 Março, coloco o dia de férias, vou à Reiger buscar a mota, vou comprar um impermeável TT da Acerbis ao JB Motos em Sesimbra e dp regresso a Palmela para montar o desenrolador de roadbook na WR.

Eu e o Flavio saímos de Palmela pelas 18h. Muita chuva obrigou-nos a fazer uma média de 110 km/h. Entretanto a 100 km de chegar, o carro volta a ter uma avaria eléctrica/electrónica e entra em safe mode... decidimos parar, desliguei a bateria para fazer reset à centralina, lá desapareceu o erro e continuámos a viagem. Chegámos a Quarteira às 21h00.

Sábado dia 06, devido a sermos um grupo grande, houve algum atraso (expectável na minha opinião) no arranque para o Salir de aprox. 15 min.

Chegar ao Salir foi algo stressante... Fiquei no meio da caravana, a tentar acompanhar o Hugo na frente a 140 km/h com o atrelado na via rápida, no entanto não queria distanciar-me em demasia do Rui Dores que vinha mais devagar na sua Navarra, pq provavelmente ele não saberia o caminho. A estrada de serra do Salir estava em obras, algumas dezenas de metros sem alcatrão, tudo arrebentado cheio de buracos, terra e poças, o que obrigava por vezes a circular no sentido contrário...

Já no Salir, o Hugo e o Emanuel fizeram o favor de tratar junto da organização, de toda a parte burocrática do grupo. Obrigado a ambos.

Enquanto se vestia o equipamento, colocação de roadbooks, etc... caí uma carga de água monumental... novo momento de stress... conseguir arranjar um local para estar sem levar com a chuva... eu e o Flavio lá nos abrigámos debaixo de um toldo de um café...

Dp da chuvada que ainda durou 15/20 min, lá decidimos partir. Todas as motas/moto 4 tinham partido (e até alguns jeeps).

O passeio finalmente começa. Assim que entro nos trilhos fico com a sensação de que o passeio não seria fácil... tudo completamente alagado (o trilho era uma poça contínua...), a terra extremamente mole, era um exercício por si próprio conseguir manter a mota estável. Começei a imaginar como seria fazer as subidas "radicais" do ano passado cheias de regos e de água a escorrer pela encosta abaixo, a apanhar jeeps pelo meio dessas subidas...

Chegamos à 1ª ribeira... como todos sabem, eu detesto ribeiras! O caudal de água era tanto que em determinado ponto da ribeira havia uma onda com 20/25cm de altura. Naquele momento de paragem (preparação mota/piloto) antes de iniciar a travessia o Flavio diz para não contar com ele... que se possível prefere evitar atravessar a ribeira. Vejo o Hugo, Emanuel, Jorge a atravessar e decido nem hesitar, fui "à maluca" e entrei pela ribeira a dentro... entro do lado esquerdo, levo com a pressão da água a meio e sou forçado a ir para a direita, por pouco não fico com a mota direccionada para o sentido da água (+1 que iria ribeira a baixo)... consigo manter a calma, levo a mota contra um barranco com umas canas a meio da ribeira, coloco a mota na direcção certa e atravesso. Fico todo molhado...

Já do outro lado da ribeira, espero pelo Flavio mas não o vejo atravessar.

Nem 1 km depois da 1ª ribeira, chego à 2ª ribeira no momento em que vejo alguém a debater-se no meio da ribeira e o Hugo na margem (entre arbustos) a correr de braços no ar a gesticular com ar de aflição... estaciono a mota, tiro o capacete, etc... e tento perceber o que aconteceu... alguns no grupo começam a dizer que alguém teria perdido uma mota na corrente da ribeira... olho ao meu redor e vejo toda a gente... Hugo e Emanuel do lado oposto da ribeira, restantes do meu lado (ou a chegar entretanto ao local). Havia malta a dizer que tinha sido o Paulo Amaral, outros que tinha sido o Emanuel, etc... alguma confusão estava naturalmente instalada.

Isto tudo durou 20/30 segs (1 min no máximo) mas pareceram 10 minutos... rapidamente chego à conclusão de que tinha sido o Emanuel.

2/3 min depois, sei através de malta de jeeps que entretanto chega ao local, que na 1ª ribeira ficou um dos amigos do Miguel Neto das moto4, que foi ribeira a baixo com a mota, que não a largava, que correu risco de vida, etc...

Ainda na 2ª ribeira, vejo jeeps com pneus altos e 2 ton de peso à rasca para atravessar a ribeira, tal a força das águas!

Perante todo este cenário, todo o stress desde o início do dia, que em apenas 4 km de passeio, apanhei 2 ribeiras com a consequência de 2 motos perdidas, o Hugo e Emanuel não iriam continuar (e são os meus navegadores preferidos, pelo que não sabia bem quem iria seguir...), sabendo eu do ano anterior de que haveriam muitas mais ribeiras por atravessar, decido que o passeio para mim terminava ali. Sim, podia ter continuado, ido dar a volta por alcatrão e apanhava o trilho uns kms à frente, etc... Mas achei que não iria valer a pena. Provavelmente iria ter mais stress ao longo do dia com o não saber navegar, não iria poder andar depressa como gosto devido à quantidade enorme de água no trilho, e sobretudo não me apetecia ter que encarar mais ribeiras.

Por tudo isto e apesar do elevado esforço pessoal que fiz para ir ao Salir (acreditem ou não, a brincadeira entre as suspensões da WR, revisão do carro, inscrição, estadia, etc... foram quase 1.000 EUR), penso que fiz a melhor escolha. Vou ter muitas oportunidades para andar e DIVERTIR-ME. Para ter STRESS chega a vida profissional durante a semana.

Depois de um bom almoço no Salir, decidi ir para o hotel e ir mais cedo para Lisboa. Mais uma viagem cheia de problemas com o carro (liga e desliga a bateria, etc...) mas lá chegámos quase às 21h a Palmela.

No Domingo, fui andar sozinho para a Arrábida, fiz 85 km de volta, terreno todo escavacado, regos de meio metro de profundidade na serra... também tudo encharcado... não foi grande volta mas deu para matar o bichinho...

E assim se passou o Salir 2010..."

Salir TT 2010 by Hugo Albuquerque

"Este ano a crónica é muito simples, depois de muitas hesitações eu e o Mané lá arrancámos em direcção a Quarteira na 6ª feira pelas 22h e lá chegámos pelas 00h30 sem grandes dificuldades.

O sábado começou com o pequeno-almoço em grande na Beira Mar (Quarteira) com 5 presenças, eu, Paulo Amaral, Ricardo e Gonçalo Pires e José Nunes. O encontro com os restantes (Mané, Jorge Maio, Rui Dores, Cláudio Subtil, Flávio Barreiro, Miguel Neto e mais dois amigos de moto 4) estava marcado para as 7h30, com 15 min de atraso lá nos encontrámos e seguimos em direcção a Salir.

Eu e o Mané fomos tratar da parte burocrática que ninguém se preocupou e quando nos despachámos já estavam todos equipados para arrancar. Enquanto nos despachávamos caiu uma valente tromba de água, depois chegou a altura de colocar os roadbooks e finalmente estávamos prontos para arrancar (já todas as motas tinham arrancado e alguns jipes também), ao que alguém se lembrou que tinha que meter gasolina. Esperámos mais 10 min e mais alguns jipes arrancaram.

Lá chegou a nossa partida, comigo e com o Mané nos comandos. Entre o km 2 e 3 havia uma ribeira que fazia uma onda, literalmente, a qual o Mané atravessou de forma destemida (deve ter dado uma bela foto), segui-o sem problema tal como os restantes, excepto uma moto 4 (amigo do Miguel Neto). Essa foi arrastada na onda e de acordo com o proprietário navegou em cima dela durante 1km, tendo depois batido numa das margens e seguido caminho de modo desgovernado. A moto 4 foi recuperada ainda antes do almoço bastante destruída!!!

Na frente seguia eu e o Mané e chegámos a nova travessia de ribeira, aí ia eu na frente, atravessei de forma destemida, mas a corrente era muita (entrei do lado esquerdo e saí do lado direito) e pensei “vai haver problema” e parei logo que pude para ajudar alguém que tivesse alguma dificuldade quando vejo o Mané a afundar, uma vez mais literalmente. Era impossível deitar-lhe a mão nessa altura e cheguei mesmo a temer pela vida dele. Fui a correr ao longo da ribeira a gritar “Mané larga a mota”. Depois de uns 30, 40 metros o Mané dá-me a mão e segurava a mota com a outra, mas era impossível aguentar ambos. O Mané largou a mota e consegui resgatá-lo.

Nesse momento o passeio tinha terminado para mim, contactámos a organização e lá apareceram para nos ajudarem. Andaram mais de 2 horas à procura da mota na ribeira (o Mané quase em hipotermia e a dizer que a mota estaria muito mais para baixo do que zona onde se concentravam as buscas) e lá identificaram o cheiro a gasolina num dos pontos (80/100 metros) abaixo da travessia da ribeira, mas não se identificava nada da mota.

Decidimos ir almoçar a Salir e regressar de tarde para tentar ver se recuperávamos a mota. Quando eu e o Mané íamos para o local onde tinha estado com a organização a concentrar as buscas, encontrámos o Rui Dores que tinha desistido à hora do almoço (corrente partida) e contámos com a preciosa ajuda dele e da sua Navarra. Andámos mais 30 min à procura da mota e lá a encontrámos uns 20 metros acima do local onde o cheiro a gasolina estava mais concentrado.

Depois veio o herculeano resgate da mota. Com muito esforço físico dos 3 e mais uns banhos do Mané lá conseguimos retirar a KTM intacta do leito da ribeira, deviam ser umas 16h30/17h.

Ainda se seguiram algumas intervenções mecânicas que só terminaram por volta das 21h de modo a salvaguardar o motor e não permitir a sua oxidação."