Ora aqui fica o fantástico relato que o Cláudio nos enviou por email. :)
"Eu já estou recuperado (hoje estive de férias a descansar em casa).
Eu adorei o passeio e o convívio (foi pena não termos conseguido juntar o grupo inteiro para o jantar de sábado).
Foi o meu 1º Salir TT (pelo que não tinha referências) e o passeio superou as minhas expectactivas.
Gostei do percurso e fiquei muito satisfeito com a minha "prestação" (excepto a navegação que "deleguei" no Hugo e no Emanuel), estava a andar regularmente rápido, fiz todas as subidas e descidas com facilidade até que... a 15 km do final do passeio, entusiasmado segui o Emanuel e o António numa mega/hiper/hard-core subida radical... trialeira do pior com pedregulhos soltos que parecia não ter fim... consegui subir, com dificuldade e devagar mas cheguei ao topo! Gritei de contentamento...
Até que o Emanuel diz: "boa, subiste bem mas enganei-me... o caminho não é por aqui..." e eu perguntei "então e agora?" ao que o António responde: "agora vamos descer..." e aí é que começou o meu Salir Inferno... toda a minha moral foi por terra e fiquei hesitante devido a quantidade de pedregulhos e profundidade dos regos que havia. Ao descer caí 2 vezes, a 1ª com alguma velocidade e violência...
A meio da descida (já eu pensava, isto afinal faz-se...) começo a ver um rego muito profundo e cheio de pedras soltas de grande dimensão... a lei de Murphy não perdoa e entrei no rego... estupidamente, decido tirar a frente do rego, viro ligeiramente para a direita e acelero para subir a lateral dta do rego e tentar sair. A traseira bate numa pedra e atravessa-se... assusto-me, acelero mais, saío do rego mas vou para fora do trilho para direita e acabo por cair, acelerador preso no chão, motor a fundo em 1ª e eu preso debaixo da mota em pânico a tentar desligar o motor. Desligo o motor, gasto todas as minhas forças a levantar a mota e a tentar colocá-la novamente no trilho. Estava assustado, a inclinação era brutal e qualquer "deslize" representava mota pela ribanceira a baixo... A custo, consigo montar-me na mota e continuo a descer...
A 100/150m do final da descida, já com o Emanuel, António e Messias no meu campo de visão, tranco a frente e volto a cair para o lado, quase parado... fico com as pernas debaixo da mota, já não tinha força para a levantar. O Emanuel subiu a pé, ajudou-me a levantar a mota e desceu o resto. Eu desci a pé... Cheguei ao final da descida exausto...
Mas não tive hipótese de descansar... fui "forçado" (Messias estava cheio de pressa...) a arrancar de imediato (não o deveria ter feito pois estava exausto e com a sensação de "coração na boca"). Nunca cheguei sequer a tirar os óculos ou o capacete para respirar...
Claro está que a partir daqui não tive mais força para levar a mota... e 2/3 minutos depois volto a cair para o lado a meio de uma subida... fui contra uma pedra que não vi porque o sol estava muito baixo e não conseguia "ler" o terreno.
Para mim esta 3ª queda tinha sido a "gota de água" e decidi que quando visse alcatrão, para mim terminava o passeio e voltaria pela estrada.
Entretanto, numa zona de pedregulho cheia de fotógrafos... o Emanuel deixa cair a mota para o lado e vai contra o António... eu venho de seguida e tenho que parar, não chego com os pés ao chão e deixo cair a mota para o lado... 4ª queda...
O alcatrão nunca mais chegava... entretanto, nova subida radical (a 7 km do fim). Como não ia a navegar, nem sequer li essa informação no roadbook... A meio da subida, o Emanuel e o Messias espalham-se um contra o outro, o António consegue passar mas eu já não consigo e tenho que parar... a meio da subida... Fiquei fo#%do... deixo a mota cair para o lado (5ª queda) e tive que dar meia volta com a mota à mão para depois descer... Consigo descer mas o físico estava mesmo nas últimas... as 5 quedas foram todas em menos de 10 km de passeio e num espaço de 30 min... queria desistir mas o Emanuel obrigou-me a continuar, fizemos uma pausa para descansar, tirei o capacete e descansei 10/15 min.
Continuei o passeio, em ritmo mais calmo, os ultimos 7 kms eram a doer, subidas e descidas acentuadas mas consegui chegar ao fim. Como estava cansado e dorido das quedas, optei por não fazer o percurso opcional no final, o Emanuel por solidariedade acompanhou-me (fico-te a dever uma).
Na mota, uma tampa lateral partida, escape ligeiramente mais amolgado, arranhões no plástico mas as manetes da zeta (e as rotating clamps) provaram que valem o seu custo, não partiram em 5 quedas! No corpo, uns arranhões no pulso e braço direito, arranhões e nódas negras na perna direita, uma valente dor na zona lombar.
Depois de um belo jantar regado a sangria, eu e o Emanuel fomos para a estrada. Cheguei a casa às 2h00..."